Escrito por: Pablo
Zevallos
O abandono de crianças sempre
existiu e nenhuma medida adotada conseguiu resolver a situação. No
Brasil, o abandono de bebês vem desde a era colonial, quando era
comum encontrar bebês largados em ruas, becos e portas de casa ou
em rios, mangues e no lixo. Havia a possibilidade de alguém
recolher o neném e criar. Os três últimos configuram a eliminação
das crianças. Os recém-nascidos jogados nas ruas corriam risco de
ser devorados por cães e porcos que vagavam pela cidade.
O abandono de bebês, muitas vezes
era para preservar a honra de moças de família e falta de recursos
para criar mais um filho eram motivos do abandono de bebês ou do
infanticídio no período colonial. Quando as crianças nasciam com
alguma deficiência também eram abandonadas.
No Brasil, parece que assitimos às
práticas de infanticídio do Brasil Colônia. É preciso resolver o
problema da exclusão social e ter uma melhor política de prevenção
de gravidez e controle de natalidade.
Rejeição, doença ou morte e pobreza
da mãe ou da família são determinantes na entrega de um bebê para
os cuidados institucionais. Vários estudos apontam os efeitos
nocivos sobre a formação das crianças quando observadas num
processo de separação dos pais e, em especial, da mãe.
O bebê é um ser indefeso e incapaz
de sobreviver pelos seus próprios recursos, o que faz-se necessária
a presença de um adulto ou responsável. Além da higiene e cuidados
com a alimentação, uma criança amada e cuidada é psicologicamente
saudável.
Bebês e crianças abandonados
Para os bebês, a mudança de quem recebe cuidados afeta muito o seu
desenvolvimento emocional. O desconforto, o sofrimento, atrasam sua
adaptação ao meio. A longo prazo, devido relações superficiais,
elas, na sua maioria vão crescer como pessoas que não tem calor no
contato com os semelhantes.
Para os bebês abandonados, o
nascimento representa um corte radical em relação a tudo o
que eles conhecem: a voz da mãe, os ruídos de seu corpo, a voz do
pai, o ambiente familiar,
enfim, tudo aquilo que permite a um recém-nascido se situar nos
primeiros momentos de
sua vida desaparece.
Por isso, a intervenção psicológica
é muito necessária para esses bebês entregues aos cuidados
institucionais, tentando garantir que, pelo menos uma vez, eles
ouçam sua verdadeira escola.
Devem ser feitos esforços para a
manutenção da maternidade, para proteger o desenvolvimento do bebê,
e tentar minimizar os efeitos negativos da falta de uma figura
materna, pois isso atrapalharia seu desenolvimento e de sua saúde
mental.
Os bebês e crianças abandonados ou
entregues para os cuidados institucionais contam
apenas com o suporte social. Como as agências que cuidam dessas
crianças são poucas e com deficiências, fica quase impossivel serem
supridas emocional e fisicamente. Por outro lado, a burocracia
impede uma facilidade maior no processo de adoção.
A adoção, que deveria ser um
processo sadio e uma saída para crianças abandonadas a se sentirem
amadas, acolhidas, sendo supridas de toda rejeição, e falta de
amor, infelizmente a cada dia descobre-se notícias e escândalos com
abusos sexuais, espancamentos, torturas e até mesmo morte de
crianças pelos próprios pais adotivos. Isso nos leva a questionar:
Há saída para essas crianças?